quarta-feira, 4 de julho de 2012

A MÚSICA VOCAL NA BÍBLIA




 Os cantores no templo eram varões levitas. Em parte alguma das Escrituras se fala de mulheres vocalistas no templo. Um dos targuns (sobre Ec 2:8) indica claramente que elas não faziam parte do coro. Estarem as mulheres proibidas até mesmo de entrar em certas áreas do templo parece excluí-las de ocuparem ali qualquer posição oficial. — 2Cr 5:12; Ne 10:39; 12:27-29.
Dava-se considerável importância ao canto no templo. Isto se evidencia em muitas referências bíblicas aos cantores, bem como em que eles estavam ‘livres dos deveres’ comuns aos outros levitas, para se devotarem inteiramente ao seu serviço. (1Cr 9:33) Continuarem como grupo especial de levitas é enfatizado por estarem alistados separadamente entre os que retornaram de Babilônia. (Esd 2:40, 41) Até mesmo a autoridade do rei persa Artaxerxes (Longímano) foi exercida a favor deles, isentando-os, junto com outros grupos especiais, de ‘imposto, tributo e pedágio’. (Esd 7:24) Mais tarde, o rei ordenou que houvesse “uma provisão fixa para os cantores, conforme cada dia exigia”. Embora se atribua esta ordem a Artaxerxes, é mais provável que foi emitida por Esdras, à base dos poderes que lhe foram concedidos por Artaxerxes. (Ne 11:23; Esd 7:18-26) De modo que é compreensível que, embora todos os cantores fossem levitas, a Bíblia faça referência a eles como grupo especial, falando de “os cantores, e os levitas”. — Ne 7:1; 13:10.
As Escrituras mencionam outros cantores, homens e mulheres, à parte da adoração no templo. Exemplos destes são os cantores e as cantoras mantidos por Salomão na sua corte; também, os cerca de 200 cantores de ambos os sexos que, além dos músicos levíticos, retornaram de Babilônia. (Ec 2:8; Esd 2:65; Ne 7:67) Estes cantores não-levíticos, comuns em Israel, eram empregados não só para realçar diversas ocasiões festivas, mas também para entoar endechas em tempos de tristeza. (2Sa 19:35; 2Cr 35:25; Je 9:17, 20) O costume de contratar músicos profissionais em ocasiões de alegria e de tristeza parece ter continuado ainda no tempo em que Jesus esteve na terra. — Mt 11:16, 17.
Embora a música não se destaque tanto nas Escrituras Gregas Cristãs como nas Escrituras Hebraicas, ela não é desconsiderada ou despercebida. A música instrumental com relação à adoração verdadeira é mencionada apenas em sentido figurado nas Escrituras Gregas (Re 14:2); todavia, o canto parece ter sido bastante comum entre os servos de Deus. Jesus e seus apóstolos cantaram louvores após a Refeição Noturna do Senhor. (Mr 14:26) Lucas fala de Paulo e Silas cantarem na prisão, e Paulo incentivava os concrentes a entoarem cânticos de louvor a Jeová. (At 16:25; Ef 5:18, 19; Col 3:16) A declaração de Paulo em 1 Coríntios 14:15, a respeito do canto, parece indicar que era uma particularidade regular da adoração cristã. João, ao registrar sua visão inspirada, fala de diversas criaturas celestiais cantarem a Deus e a Cristo. — Re 5:8-10; 14:3; 15:2-4.

O CANDELABRO NO TABERNÁCULO



Base ou suporte para uma ou várias lâmpadas a óleo. Embora mencione candelabros em lares e em outros edifícios (2Rs 4:10; Da 5:5; Lu 8:16; 11:33), a Bíblia dá ênfase primariamente aos candelabros associados com a verdadeira adoração.
No Tabernáculo. Deus orientou Moisés, numa visão, a fazer, para ser usado no tabernáculo, um candelabro (hebr.: menoh·ráh; gr.: ly·khní·a) ‘de ouro puro, obra batida ao martelo’. Junto com suas lâmpadas e utensílios, devia pesar um talento. (Êx 25:31, 39, 40; 37:17, 24; Núm 8:4; He 9:2) Isto equivaleria a cerca de 34 kg, valendo, em termos modernos, uns US$ 385.350.
Formato. Esta luminária para o “Lugar Santo”, o compartimento anterior do tabernáculo (He 9:2), compunha-se de uma coluna central, com seis hastes laterais. Estas hastes curvavam-se para cima, em lados opostos da coluna principal. A coluna, ou talo, central era decorada com quatro cálices esculpidos em forma de flores de amendoeira, alternando-se botões e flores. Não se tem certeza da espécie de flor representada ali; a palavra hebraica pode referir-se a qualquer flor. Cada uma das hastes laterais tinha três cálices, alternando-se botões e flores. A descrição talvez indique que os botões, na coluna central, ocorriam no ponto em que as hastes laterais se juntavam à coluna central. Lâmpadas que queimavam excelente azeite batido achavam-se colocadas no alto da coluna principal, e na extremidade de cada haste. Os acessórios consistiam em espevitadeiras, porta-lumes e vasos de azeite. — Êx 25:31-38; 37:18-23; Le 24:2; Núm 4:9.
A fabricação em si, do candelabro, foi feita sob a supervisão de Bezalel, da tribo de Judá, e Ooliabe, da tribo de Dã. (Êx 31:1-11; 35:30-35) Estes homens, sem dúvida, eram bons artífices, possivelmente tendo aprendido o ofício quando eram escravos no Egito. Mas, Jeová colocou então seu espírito sobre eles, para que o trabalho fosse feito com perfeição, exatamente segundo o modelo revelado e mencionado a Moisés. — Êx 25:9, 40; 39:43; 40:16.
Uso. Moisés “colocou o candelabro na tenda de reunião, defronte da mesa, do lado meridional do tabernáculo”. Evidentemente, ficava paralelo ao lado sul da tenda (do lado esquerdo de quem entrava), defronte da mesa dos pães da proposição. A luz brilhava sobre a “área na frente do candelabro”, iluminando assim o Lugar Santo, que continha também o altar de ouro para incenso. — Êx 40:22-26; Núm 8:2, 3.
Na ocasião em que Moisés terminou a montagem do tabernáculo, em 1.° de nisã de 1512 AEC, ele seguiu as instruções de Deus, de acender as lâmpadas. (Êx 40:1, 2, 4, 25) Mais tarde, Arão fazia isso (Núm 8:3), e depois ele (e os futuros sumos sacerdotes) punham o candelabro em ordem, ‘continuamente perante Jeová, desde a noitinha até à manhã’. (Le 24:3, 4) Quando Arão aprontava as lâmpadas “manhã após manhã”, e quando as acendia “entre as duas noitinhas”, ele oferecia também incenso no altar de ouro. — Êx 30:1, 7, 8.
O candelabro, junto com os outros utensílios do tabernáculo, durante a peregrinação no ermo, era transportado pela família coatita da tribo de Levi. Primeiro, porém, os sacerdotes tinham de cobrir os objetos, porque, conforme Deus avisara, os que não eram sacerdotes ‘não deviam entrar para ver as coisas sagradas nem pelo mínimo instante de tempo, e assim ter de morrer’. O candelabro com os seus acessórios eram cobertos com um pano azul e depois envolvidos numa cobertura de peles de focas, e então era colocado sobre uma barra para ser carregado. — Núm 4:4, 9, 10, 15, 19, 20.
No relato sobre o Rei Davi trazer a arca do pacto ao monte Sião, não se faz menção do candelabro. Evidentemente, permaneceu no tabernáculo nos diversos lugares em que este passou a ficar.
Nos Templos. Davi deu a Salomão os planos arquitetônicos para o templo, planos que havia recebido por inspiração. Estes incluíam orientações para haver candelabros de ouro e candelabros de prata. (1Cr 28:11, 12, 15, 19) Havia dez candelabros de ouro, e eles foram colocados “cinco para a direita e cinco para a esquerda”, ou cinco do lado meridional e cinco do lado setentrional, encarando-se o leste, no Santo do templo. (1Rs 7:48, 49; 2Cr 4:20) Todos os dez eram “do mesmo plano”. (2Cr 4:7) Talvez fossem muito maiores do que aquele que havia estado no tabernáculo, em harmonia com as dimensões maiores do templo e dos seus outros apetrechos, tais como “o mar de fundição”. (2Cr 3:3, 4; 1Rs 7:23-26) Os candelabros de prata, sem dúvida, eram usados nos pátios ou em outras salas, não no Santo e no Santíssimo, porque os objetos dessas duas salas eram de ouro. Assim como no tabernáculo, as lâmpadas dos candelabros de ouro eram acesas “noitinha após noitinha”, constantemente. — 2Cr 13:11.
Quando o templo foi destruído pelos babilônios, em 607 AEC, os candelabros se achavam entre os objetos de ouro e de prata levados da casa de Jeová. — Je 52:19.
Templo reconstruído por Zorobabel. As Escrituras não fornecem nenhuma informação sobre candelabros no templo reconstruído por Zorobabel. Entretanto, Josefo diz que Antíoco (Epifânio) “despojou o templo, carregando com . . . os candelabros de ouro”. (Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], XII, 250 [v. 4]) O livro apócrifo de Macabeus menciona a remoção dum “candelabro”, tornando necessário a fabricação de um novo. — 1 Macabeus 1:21-23; 4:49, 50, BJ.
Templo reconstruído por Herodes. A magnificência do templo reconstruído por Herodes forneceria base para se imaginar que esse templo também deve ter contido candelabros de igual beleza e custo que os do templo de Salomão. No entanto, as Escrituras não fazem menção deles. Evidência de tal candelabro é encontrada na sua menção por Josefo e na sua representação num baixo-relevo existente numa abóbada interior do arco triunfal de Tito, em Roma. Neste arco acham-se representados certos objetos tomados de Jerusalém, quando ela foi destruída pelos romanos em 70 EC. Josefo afirmava ter sido testemunha ocular desta procissão triunfal do imperador Vespasiano e de seu filho Tito. Josefo fala de a procissão carregar “um candelabro, igualmente feito de ouro, mas construído num formato diferente daqueles que usamos na nossa vida. Presa a um pedestal havia uma coluna central, da qual se estendiam hastes finas, arranjadas em feitio de tridente, com uma lâmpada trabalhada presa à extremidade de cada haste; havia sete delas”. — The Jewish War (A Guerra Judaica), VII, 148, 149, (v. 5).
Ninguém pode hoje dizer com certeza se o candelabro representado no Arco de Tito tem aspecto exatamente igual ao original no templo em Jerusalém. As diferenças de opinião referem-se principalmente ao formato da base, feita de duas formas poligonais, estando a menor acima da maior. Um conceito é que a representação romana, no arco, é exata, mas que o próprio Herodes mudara o formato, diferente da forma judaica duma base triangular, ou tripé, numa campanha de “ocidentalização” para agradar aos romanos. Outros peritos discordam de que a representação seja exata. Painéis decorativos na base retratam águias e monstros marinhos, que eles citam como aparente violação do segundo mandamento.
Alguns concluem que o candelabro original do templo erguia-se sobre um tripé, baseando isso, em parte, nas numerosas representações do candelabro, em diferentes partes da Europa e do Oriente Médio, datando do terceiro ao sexto século, que mostram um tripé como base, alguns tripés com pés de animal. A representação mais antiga do candelabro aparece em moedas de Antígono II, que reinou de 40-37 AEC. Um espécime, embora não muito bem preservado, parece indicar que a base consistia numa chapa com pés. Em 1969, encontrou-se uma representação do candelabro do templo, talhada em gesso, numa casa escavada na parte antiga de Jerusalém. O desenho esquemático indica sete hastes e uma base triangular, todas ornamentadas com botões separados por duas linhas paralelas. No Túmulo de Jasão, descoberto em Jerusalém em 1956 e remontando ao começo do primeiro século AEC, os arqueólogos encontraram desenhos dum candelabro de sete hastes riscados em gesso. A parte inferior parece estar fixa numa caixa ou pedestal.
Assim, à base destes achados arqueológicos, alguns objetam à aparência da base do candelabro no Arco de Tito e sugerem entre outras possibilidades que os entalhes são a concepção de um artista romano, influenciado por formatos judaicos que lhe eram familiares de outras fontes.

OS BORDADOS NO TABERNÁCULO




A antiga arte de usar uma agulha para dar pontos de linha ou de outros materiais de várias cores ou espécies em algum tipo de tecido ou em couro, a fim de produzir uma ornamentação em relevo. A primeira menção bíblica de bordados de padrões e figuras em tecido, por meio de trabalho de agulha, é em relação ao tabernáculo de Israel. Deus encheu de sabedoria de coração os trabalhadores do tabernáculo, Bezalel e Ooliabe, para fazerem, entre outras coisas, todo o serviço de bordador, diferente do trabalho de tecelão. — Êx 35:30-35; 38:21-23.
Em harmonia com instruções divinas, bordaram-se habilmente querubins nos panos de tenda do tabernáculo, figuras estas que eram visíveis do interior do Santo e do Santíssimo. (Êx 26:1; 36:8) Também se bordaram querubins na cortina que separava esses compartimentos do tabernáculo. — Êx 26:31-33; 36:35.
Para se fazer o éfode a ser usado pelo sumo sacerdote, bateram-se lâminas de ouro em folhas finas, das quais se recortaram fios “para os entremear entre a linha azul, e a lã tingida de roxo, e as fibras carmíneas, e o linho fino, como trabalho de bordador”. (Êx 39:2, 3; 28:6) De modo similar, “o trabalho de bordador” entrou na fabricação do “peitoral do julgamento” do sumo sacerdote. — Êx 28:15; 39:8.
O cântico de vitória de Baraque e Débora apresenta a mãe de Sísera à espera de ele retornar do combate contra Israel com despojos que incluíssem vestes bordadas. (Jz 5:1, 28, 30) Deus, em amor, revestiu figurativamente Jerusalém de uma custosa “veste bordada”. Mas os habitantes idólatras dela evidentemente haviam usado vestes bordadas literais para cobrir as imagens dum varão com o qual ela é representada prostituir-se. (Ez 16:1, 2, 10, 13, 17, 18) Deus predisse também por meio de Ezequiel que, por ocasião da queda da rica Tiro às mãos dos babilônios, os destronados “maiorais do mar” ‘se despiriam das suas próprias vestes bordadas’. — Ez 26:2, 7, 15, 16.

BOTÃO DO CANDELABRO


Imagem: Detalhe - botões no candelabro.
Parte ornamental do candelabro de ouro usado no tabernáculo; designado pela palavra hebraica kaf·tóhr, ou kaf·tór, referindo-se, evidentemente, a uma protuberância redonda. (Êx 25:31-36; 37:17-22) Estes “botões” se alternavam com as flores ornamentais no talo principal e em cada uma das seis hastes do candelabro. Alguns dos botões parecem ter formado uma bossa ou apoio saliente para essas hastes. São discerníveis no candelabro representado no relevo existente no Arco de Tito (em Roma), onde se mostra soldados romanos levando os despojos do templo em Jerusalém, destruído em 70 EC.

A BACIA DO TABERNÁCULO



As Escrituras não fornecem uma descrição detalhada das bacias usadas nos tempos antigos, embora tais recipientes costumassem ser de argila, ou eram de madeira ou de metal. Algumas bacias serviam para fins domésticos, como aquelas que estavam entre as provisões levadas a Davi e ao povo com ele, quando fugiram de Absalão. (2Sa 17:27-29) Para este tipo de bacia usa-se a palavra hebraica saf. Esta é também usada para a bacia em que os israelitas, no Egito, puseram o sangue da vítima pascoal (Êx 12:22) e para as bacias do templo que Nabucodonosor levou a Babilônia. (Je 52:19) Esta palavra também pode ser vertida por “taça”, e neste respeito Deus é representado como dizendo profeticamente: “Eis que eu faço de Jerusalém uma taça [saf] que causa tontura a todos os povos ao redor.” — Za 12:1, 2.
Uso no Santuário. Usavam-se também bacias para fins sagrados, em conexão com a adoração de Deus no tabernáculo e nos templos posteriores. Conforme Deus instruiu Moisés, os objetos do tabernáculo incluíam uma bacia grande, que devia ser enchida de água. Ela era de cobre, apoiada num suporte de cobre, e era colocada entre a tenda de reunião e o altar, para prover o sumo sacerdote e os outros sacerdotes de água para lavarem as mãos e os pés, quer antes de entrar na tenda de reunião, quer para ministrar no altar. (Êx 30:17-21; 31:9; 40:30, 31) Esta bacia, chamada de pia em algumas traduções (Al; BLH), fora feita dos “espelhos das serventes que prestavam serviço organizado à entrada da tenda de reunião”. — Êx 38:8.
De acordo com o texto massorético, não havia nenhuma instrução específica a respeito do transporte da bacia do tabernáculo. No entanto, a Septuaginta grega (que concorda com o antigo Pentateuco samaritano) acrescenta em Números 4:14 as palavras: “E tomarão um pano roxo e cobrirão a bacia e seu suporte, e colocá-los-ão numa cobertura de pele azul, e colocá[-los-]ão sobre varais.”
Usa-se a palavra hebraica ki·yóhr (ou: ki·yór), que significa “bacia” ou “lavatório”, para a bacia do tabernáculo. (Êx 35:16 n.) Ela é também usada para as dez bacias que Salomão fez para o uso do templo, nas quais se enxaguavam as coisas que tinham que ver com a oferta queimada. — 2Cr 4:6, 14.
Cada uma das dez bacias de cobre (pias, Al; ALA; IBB) que Hirão fez para uso no templo podiam conter “a medida de quarenta batos”, ou cerca de 880 l de água. Caso essas bacias tenham tido forma hemisférica, isto significa que tinham um diâmetro de talvez 1,8 m. Naturalmente, se fossem bojudas e se estreitassem um pouco nas bordas, as medidas seriam outras, e é preciso observar que a Bíblia não fornece informações pormenorizadas sobre o seu feitio, embora diga que “cada bacia era de quatro côvados”. Cada bacia era colocada num carrocim de quatro rodas, habilmente feito com trabalho ornamental e gravuras, colocando-se cinco à direita e cinco à esquerda da casa. — 1Rs 7:27-39.
Outra bacia de grande tamanho era o enorme e ornamentado mar de fundição, posto sobre 12 touros modelados, e colocado “ao lado direito, ao leste, para o sul” da casa. Continha água para o uso dos sacerdotes. Era circular, tendo 10 côvados (4,5 m) de borda a borda, e 5 côvados (2,2 m) de altura. — 2Cr 4:2-6, 10.
Usa-se a palavra grega ni·ptér para se referir à “bacia” que Jesus usou ao lavar os pés dos seus discípulos. — Jo 13:5; veja Int.
Tigelas. Assim como no caso de outros recipientes mencionados nas Escrituras, as tigelas eram feitas de argila, ou então de madeira ou de metal. O termo hebraico miz·ráq indica um recipiente de metal evidentemente usado em conexão com sacrifícios na adoração. (Êx 27:3; Núm 4:14; 7:13; 1Rs 7:50; 2Cr 4:8) Entre as tigelas maiores usadas em refeições estava o tsal·lá·hhath (“tacho de banquete”; Pr 26:15) e o sé·fel (“grande taça de banquete”; Jz 5:25). Usa-se gul·láh para indicar uma “tigela” (Za 4:2), mas a palavra é também vertida “em forma de tigela” e “redondos” para descrever os capitéis das colunas diante do templo no tempo de Salomão. (1Rs 7:41) Os dois termos gregos para tigelas são trý·bli·on e fi·á·le. Trý·bli·on indica um prato relativamente fundo no qual se tomava a refeição (Mt 26:23), ao passo que fi·á·le refere-se a uma “tigela”, freqüentemente usada para oferecer sacrifícios líquidos. — Re 16:2-17.

BEZALEL - O ARTESÃO DO TABERNÁCULO

 

     Imagem: Esboço moderno do Tabernáculo.

     Bezalel significa "Sob a Sombra (Abrigo) de Deus".

Principal artesão e construtor do tabernáculo, “filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá”. (Êx 31:1, 2; 1Cr 2:20) O próprio Deus designou Bezalel e prometeu que o ‘encheria do espírito de Deus em sabedoria e em entendimento, e em conhecimento, em toda espécie de artesanato, para elaborar projetos, para trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lavrar pedras para engastá-las e em trabalhar madeira para fazer trabalhos de toda espécie’. (Êx 31:3-5; 35:30-33) Estes materiais caros, com os quais Bezalel trabalhava, foram supridos pelas contribuições generosas das pessoas de “coração disposto”, e mostraram ser ‘mais do que suficientes’. — Êx 35:4-9, 20-29; 36:3-7.

Bezalel teve como seu principal ajudante a Ooliabe (Êx 31:6), e havia muitos de “coração sábio” que trabalhavam com eles, todavia, a responsabilidade de orientar o trabalho complicado era de Bezalel. (Êx 35:10-19, 25, 26, 34; 36:1, 2) Isto se evidencia na troca dos pronomes implícitos nos verbos, “ele” referindo-se a Bezalel, e “eles”, a seus auxiliares. (Êx 36-39) A grande diversidade das habilidades de Bezalel, e o fato de que estava cheio do “espírito de Deus” (Êx 35:31), capacitaram-no a superintender a fabricação de panos de tenda e seus bordados, de colchetes de ouro e de cobre, das coberturas externas de peles, das armações dos painéis de madeira, recobertos de ouro, do reposteiro interior (Êx 36); da recoberta arca do pacto e seus querubins, da mesa e seus utensílios, do candelabro de ouro e do altar do incenso, dos prescritos óleo de unção e incenso (Êx 37); do altar da oferta queimada, da bacia de cobre e de seu suporte, do pátio (Êx 38); do éfode e seu peitoral guarnecido de pedras preciosas, e das vestes sacerdotais (Êx 39). Quando Salomão ascendeu ao trono, 475 anos depois, a tenda do tabernáculo, a arca do pacto e o altar de cobre ainda estavam em uso. — 2Cr 1:1-6.

O BANHO NAS ESCRITURAS


   Imagem: Banho cerimonial Hindu.
A palavra hebraica ra·hháts é traduzida quer por “banhar” quer por “lavar”, e aplica-se ao corpo humano e a outros objetos que são limpos por serem mergulhados em água ou por esta ser derramada sobre eles. (Le 16:24; Gên 24:32) Entretanto, para descrever a lavagem de roupa, quando esta é batida debaixo de água, os escritores bíblicos usaram a palavra hebraica ka·vás, aparentada com a árabe kabasa (amassar; pisar) e a acadiana kabasu (calcar). Por isso, lemos em Levítico 14:8: “E aquele que se purifica tem de lavar [uma forma de [ka·vás] suas vestes e rapar todo o seu cabelo, e banhar-se [wera·hháts] em água, e ele tem de ser limpo.” — Veja também Le 15:5-27; Núm 19:19.

A palavra grega para “banho” é lou·trón. — Tit 3:5.

Exige-se limpeza física daqueles que adoram a Deus em santidade e pureza. Isto foi demonstrado em conexão com o arranjo do tabernáculo e o posterior serviço no templo. Por ocasião da sua investidura, o sumo sacerdote Arão e seus filhos banharam-se antes de trajar as vestes oficiais. (Êx 29:4-9; 40:12-15; Le 8:6, 7) Para lavarem as mãos e os pés, os sacerdotes usavam água da bacia de cobre no pátio do tabernáculo, e, posteriormente, do enorme mar de fundição junto ao templo de Salomão. (Êx 30:18-21; 40:30-32; 2Cr 4:2-6) No Dia da Expiação, o sumo sacerdote banhava-se duas vezes. (Le 16:4, 23, 24) Aqueles que levavam o bode para Azazel, os restos dos sacrifícios animais e a sacrificial vaca vermelha para fora do acampamento tinham de banhar a sua carne e lavar suas vestes antes de entrar novamente no acampamento. — Le 16:26-28; Núm 19:2-10.

Requeria-se, por vários motivos, um banho cerimonial por parte dos israelitas em geral. Aquele que se restabelecesse da lepra, aquele que entrasse em contato com coisas tocadas por alguém que tivesse “um fluxo”, o homem que tivesse uma emissão de sêmen, a mulher após a menstruação ou uma hemorragia, ou todo aquele que tivesse relações sexuais era “impuro” e tinha de banhar-se. (Le 14:8, 9; 15:4-27) Alguém que estivesse numa tenda com um cadáver humano ou o tocasse era “impuro” e tinha de ser purificado com água de purificação. Quem se negasse a acatar este regulamento tinha ‘de ser decepado do meio da congregação, visto que profanou o santuário de Deus. (Núm 19:20) Apropriadamente, pois, a lavagem é usada de modo figurativo para indicar uma posição limpa perante Deus. (Sal 26:6; 73:13; Is 1:16; Ez 16:9) Banhar-se com a palavra da verdade de Deus, simbolizada pela água, tem poder purificador. — Ef 5:26.

A Bíblia refere-se de passagem a pessoas se banharem: a filha de Faraó, no Nilo (Êx 2:5); Rute, antes de se apresentar a Boaz (Ru 3:3); Bate-Seba, sem o saber, à vista de Davi (2Sa 11:2, 3); Davi, antes de se prostrar na casa de Deus (2Sa 12:20); prostitutas no reservatório em Samaria (1Rs 22:38). O leproso Naamã, à ordem de Eliseu: “Banha-te e sê limpo”, fez isso sete vezes no rio Jordão. (2Rs 5:9-14) Era costume banhar bebês recém-nascidos e também banhar os corpos de defuntos antes do sepultamento. — Ez 16:4; At 9:37.

No clima quente do Oriente Médio, onde as pessoas andavam em estradas poeirentas com sandálias abertas, era sinal de hospitalidade e bondade providenciar a lavagem dos pés dos hóspedes. Abraão mostrou esta bondade para com anjos (Gên 18:1-4); outros exemplos incluem Ló, Labão e Abigail. (Gên 19:1, 2; 24:29-32; 1Sa 25:41; Lu 7:38, 44; 1Ti 5:10) Também Jesus lavou os pés dos seus discípulos. — Jo 13:5-17.

Os fariseus lavavam “as mãos até os cotovelos”, não por motivos de higiene, mas estritamente por tradições rabínicas. — Mr 7:1-5; Mt 15:1, 2.