sexta-feira, 8 de junho de 2012

TUA LUZ ARDE EM MIM



Difícil explicar porque minha voz Te busca
E a emoção transborda quando a noite cai...
Casta e suficientemente,
Não sei como dizer
Quando percebo espiritualmente Teu corpo
Próximo ao meu em um outro plano.
Quando o pressentir de um tempo distante
Surge em um sonho precioso,
Mil idéias dentro de mim Te procuram.
Quando a tristeza torna-se insuportável
Suavizas a expressão mais marcada de minha solidão,
Como se toda a Tua luz ardesse em mim
Apagada na madrugada.
- Então não sei o que fazer,
Não sei como dizer-Te que a pureza dentro de mim Te procura.
Durante horas inteiras Te chamo angustiada.
Nas trevas, nas luas, no sobrenatural de todo dia,
No abstrato correr do espaço -

Mas...
Quando Te vejo na crueza de minha fé
Percebo que me falta a tal coisa extraordinária.
Pois não sei Te dizer simplesmente
Que dentro de mim
É a criança,
O bem, a alma,
A essência...
O amor,
Que Te procuram.

(Christiane Lopes)


FESTA SURPRESA DA PASTORA MARLI


Nossa querida irmã e Pastora Marli Mette foi surpreendida pela festa surpresa referente à comemoração de seu aniversário na segunda-feira. Como não foi possível celebrar com a  IBI no dia certo - (estava em vigília com outra igreja), as irmãs de sua classe  Restauração da Alma prepararam um lindo e significativo bolo em forma de Bíblia!

A MÃE DE DEUS NA PLAYBOY



Usei o Fotoshop para poder publicar esta foto  - chocante - porque com certeza poucos acreditariam que o ser humano foi capaz de transformar a Mãe de Cristo em fantasia sexual em uma revista desta natureza. (Existe outra foto circulando na Internet que não é possível ser publicada nem com a censura mais rigorosa). O ser humano FOI CAPAZ! E é capaz. E vai mais longe. O Apóstolo Paulo disse que iria. O Apóstolo João disse que iria. Todos os profetas disseram que iria. Mas eu tive a ilusão de achar que a mãe de Deus - ou sua imagem - seu ícone - o que quer que seja, porque mesmo indevidamente idolatrada não deixa de ser mãe de Jesus - seria poupada! Não foi.

NOSSOS FUTUROS PASTORES




Trabalho da Brunella (3/6/12) com as crianças no Domingo, durante o culto, em uma classe especial - música, oração e histórias. As crianças estão sendo educadas "segundo o Caminho" - dentro do que elas podem entender nesta idade. Isso é admirável.  

ORAR USANDO O NOME DE MARIA É ANTIBÍBLICO




É certo dirigirmos orações a Maria qual intercessora?

Jesus Cristo disse: “Orai desta maneira: Pai nosso que estás nos céus . . .” Ele disse também: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim. . . . Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” — Mat. 6:9; João 14:6, 14, BJ; grifo acrescentado.

Está a veneração de imagens de Maria em harmonia com o cristianismo da Bíblia?

Tal prática foi definitivamente incentivada pelo II Concílio do Vaticano (1962-1965). “Este santíssimo Sínodo . . . admoesta todos os filhos da Igreja no sentido de que o culto, especialmente o culto litúrgico, da Santíssima Virgem seja generosamente promovido. Exorta que as práticas e os cultos de devoção a ela sejam prezados, segundo tem recomendado a autoridade do ensino da Igreja no decorrer dos séculos, e que aqueles decretos emitidos em épocas anteriores, com respeito à veneração de imagens de Cristo, da Santíssima Virgem e dos santos, sejam religiosamente observados.” —The Documents of Vatican II, pp. 94, 95.

Dava-se honra especial a Maria na congregação cristã do primeiro século?

O apóstolo Pedro não faz menção alguma dela nos seus escritos inspirados. O apóstolo Paulo não usou o nome dela nas suas cartas inspiradas, mas falou a respeito dela, dizendo simplesmente “uma mulher”. — Gál. 4:4.

Que exemplo deu o próprio Jesus ao referir-se a sua mãe?

João 2:3, 4, BJ, ed. ingl.: “Quando não tinham mais vinho [numa festa de casamento em Caná], visto que o vinho provido para o casamento havia acabado totalmente, a mãe de Jesus lhe disse: ‘Eles não têm vinho.’ Jesus disse: ‘Mulher, por que recorrer a mim [“que nos importa a mim e a ti isso?”, So]? Minha hora ainda não chegou.’” (Quando Jesus era criança, sujeitava-se a sua mãe e a seu pai adotivo. Mas agora que tinha crescido, ele com gentileza, mas firmemente, rejeitou a direção de Maria. Ela aceitou com humildade a correção.)

Luc. 11:27, 28, BJ: “Enquanto ele [Jesus] assim falava, certa mulher levantou a voz em meio à multidão e disse-lhe: ‘Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!’ Ele, porém, respondeu: ‘Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam.’” (Esta teria sido certamente uma excelente oportunidade para Jesus prestar honra especial a sua mãe, se isso fosse apropriado. Ele não fez isso.)

Quais são as origens históricas da adoração de Maria?

Diz o sacerdote católico Andrew Greeley: “Maria é um dos mais poderosos símbolos religiosos da história do mundo ocidental . . . O símbolo de Maria vincula o Cristianismo diretamente com as religiões antigas das deusas-mães.” — The Making of the Popes 1978 (EUA, 1979) p. 227.

É de interesse o local onde foi confirmado o ensinamento de que Maria é Mãe de Deus. “O Concílio de Éfeso se reuniu na basílica da Theotokos em 431. Ali, se é que em algum lugar, na cidade tão notória pela sua devoção a Ártemis, ou Diana, conforme os romanos a chamavam, onde se diz que a sua imagem caiu do céu, sob o abrigo do grande templo dedicado à Magna Mater desde 330 AC, e que continha, segundo a tradição, uma residência temporária de Maria, dificilmente poderia deixar de ser sustentado o título de ‘mãe de Deus’.” — The Cult of the Mother Goddess (Nova Iorque, 1959), E. O. James, p. 207 (Raciocínios à Base das Escrituras).

OS VALDENSES PERDERAM O PRIMEIRO AMOR


Os valdenses da heresia para o protestantismo

Foi no ano 1545, na bela região de Lubéron, da Provença, no sul da França. Ali se reunira um exército para cumprir uma terrível missão, instigada pela intolerância religiosa. Seguiu-se uma semana de derramamento de sangue.

ALDEIAS foram arrasadas, e os habitantes foram presos ou mortos. Soldados brutais praticaram atrocidades cruéis num massacre que fez a Europa estremecer. Uns 2.700 homens foram mortos, e 600 foram mandados trabalhar em galés, sem se mencionar o sofrimento das mulheres e das crianças. O comandante militar que executou esta campanha sanguinária foi elogiado pelo rei francês e pelo papa.

A Reforma já havia dividido a Alemanha, quando o rei católico Francisco I, da França, preocupado com a expansão do protestantismo, fez indagações a respeito de supostos hereges no seu reino. Em vez de encontrar uns poucos casos isolados de heresia, as autoridades na Provença descobriram aldeias inteiras de dissidentes religiosos. Emitiu-se o edito para eliminar esta heresia e ele foi finalmente executado no massacre de 1545.

Quem eram esses hereges? E por que foram alvo de violenta intolerância religiosa?

Da riqueza para a pobreza

Os mortos no massacre pertenciam a um movimento religioso existente desde o século 12 e que abrangia uma grande região da Europa. A maneira em que esse movimento se espalhou e sobreviveu por vários séculos torna-o singular nos anais da dissidência religiosa. A maioria dos historiadores concorda que o movimento teve início por volta do ano 1170. Na cidade francesa de Lyon, um comerciante rico, de nome Vaudès (ou Pedro Valdo), interessou-se profundamente em saber como agradar a Deus. Pelo visto, induzido pela admoestação de Jesus Cristo, para que um certo homem rico vendesse os seus bens e ajudasse os pobres, Vaudès fez provisão financeira para a família e então abriu mão das suas riquezas para pregar o Evangelho. (Mateus 19:16-22) Ele logo tinha seguidores, que mais tarde ficaram conhecidos como valdenses.

A pobreza, a pregação e a Bíblia eram a principal preocupação na vida de Vaudès. O protesto contra a opulência clerical não era novidade. Já por algum tempo, diversos dissidentes clericais haviam denunciado as práticas corruptas e os abusos da Igreja. Mas Vaudès era leigo, assim como a maioria dos seus seguidores. Sem dúvida, isto explica por que ele achava necessário ter a Bíblia na linguagem vernácula, do povo. Visto que a versão latina da Bíblia, da Igreja, só era acessível aos clérigos, Vaudès comissionou uma tradução dos Evangelhos e de outros livros bíblicos para o franco-provençal, a língua entendida pelo povo do centro-leste da França. Agindo segundo a ordem de Jesus, de pregar, os pobres de Lyon foram às ruas com a sua mensagem. (Mateus 28:19, 20) O historiador Gabriel Audisio explica que a insistência deles na pregação em público tornou-se a questão decisiva na atitude da Igreja para com os valdenses.

De católicos para hereges

Naqueles dias, a pregação ficava restrita aos clérigos, e a Igreja reivindicava o direito de conceder a autorização de pregar. Os clérigos consideravam os valdenses ignorantes e iletrados, mas em 1179, Vaudès procurou obter do Papa Alexandre III a autorização oficial para pregar. A permissão foi concedida — mas sob a condição de que os clérigos locais a aprovassem. O historiador Malcolm Lambert observa que isto “equivalia praticamente a uma recusa total”. Deveras, o Arcebispo Jean Bellesmains, de Lyon, proibiu formalmente a pregação por leigos. Vaudès respondeu por citar Atos 5:29: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” Por não acatar a proscrição, Vaudès foi excomungado pela Igreja em 1184.

Embora os valdenses fossem banidos da diocese de Lyon e expulsos da cidade, parece que a condenação inicial foi de certa maneira teórica. Muitas pessoas comuns admiravam os valdenses pela sua sinceridade e seu modo de vida, e até mesmo bispos continuavam a falar com eles.

Segundo o historiador Euan Cameron, parece que os pregadores valdenses não se “opunham à Igreja Católica em si”. Eles apenas “queriam pregar e ensinar”. Historiadores dizem que o movimento foi praticamente impelido para a heresia por uma série de decretos, que progressiva e permanentemente o marginalizaram. As condenações feitas pela Igreja culminaram no anátema emitido pelo Quarto Concílio de Latrão contra os valdenses em 1215. Como isso afetou a pregação deles?

Passaram a agir às ocultas

Vaudès morreu no ano 1217, e a perseguição dispersou seus seguidores para os vales alpinos franceses, a Alemanha, o norte da Itália, e a Europa Central e Oriental. A perseguição também fez os valdenses estabelecer-se em zonas rurais, e isso limitou sua pregação em muitas áreas.

Em 1229, a Igreja Católica completou sua cruzada contra os cátaros, ou albigenses, no sul da França. Os valdenses tornaram-se a seguir os objetos de tais esforços. A Inquisição, em pouco tempo, se voltaria impiedosamente contra todos os opositores da Igreja. O temor fez com que os valdenses passassem a agir às ocultas. Em 1230, eles não mais pregavam em público. Audisio explica: “Em vez de procurarem novas ovelhas .., dedicavam-se a cuidar dos convertidos, mantendo-os na fé em face da pressão externa e da perseguição.” Ele acrescenta que “a pregação continuou essencial, mas mudara completamente na maneira em que era realizada”.

Suas crenças e suas práticas

Em vez de fazerem homens e mulheres empenhar-se na pregação, os valdenses, no século 14, haviam criado uma distinção entre pregadores e crentes. A essa altura, apenas homens bem treinados se empenhavam na obra pastoral. Esses ministros itinerantes, mais tarde, passaram a ser conhecidos como barbes (tios).

Os barbes, que visitavam famílias valdenses nos seus lares, empenhavam-se em manter o movimento vivo, em vez de difundi-lo. Todos os barbes sabiam ler e escrever, e seu treinamento, que durava até seis anos, baseava-se na Bíblia. O uso da Bíblia no vernáculo ajudava-os a explicá-la aos seus rebanhos. Até mesmo os opositores admitiam que os valdenses, inclusive seus filhos, tinham uma forte cultura bíblica e podiam citar grandes partes das Escrituras.

Entre outras coisas, os primeiros valdenses rejeitavam a mentira, o purgatório, missas pelos mortos, perdões e indulgências papais, e a adoração de Maria e de “santos”. Realizavam também celebrações anuais da Refeição Noturna do Senhor, ou Última Ceia. Segundo Lambert, sua forma de adoração, “na realidade, era a religião do leigo comum”.

“Uma vida dupla”

As comunidades dos valdenses eram muito unidas. As pessoas se casavam com outros membros do movimento e, no decorrer dos séculos, isto criou sobrenomes valdenses. Na sua luta para sobreviver, porém, os valdenses procuravam ocultar seus conceitos. O segredo mantido sobre suas crenças e práticas religiosas facilitou aos opositores lançar contra eles acusações absurdas, por exemplo, dizendo que praticavam a adoração do Diabo.

Um modo de os valdenses combaterem essas acusações foi por transigirem e praticarem o que o historiador Cameron chama de “conformidade mínima” com o culto católico. Muitos valdenses confessavam-se a sacerdotes católicos, assistiam à missa, usavam água benta e até participavam em peregrinações. Lambert observa: “Em muitos sentidos, faziam o mesmo que seus vizinhos católicos.” Audisio declara francamente que, com o tempo, os valdenses “levavam vida dupla”. Ele acrescenta: “Por um lado, ao que tudo indica, comportavam-se como católicos para proteger sua relativa tranqüilidade; por outro lado, observavam alguns ritos e hábitos entre eles para garantir a continuidade da comunidade.”

Da heresia para o protestantismo

No século 16, a Reforma mudou radicalmente o cenário religioso europeu. Vítimas de intolerância podiam procurar reconhecimento legal no seu próprio país ou emigrar em busca de condições mais favoráveis. A idéia de heresia também se tornou menos importante, visto que muitos haviam começado a questionar a ortodoxia religiosa estabelecida.

Já em 1523, o bem-conhecido reformador Martinho Lutero mencionou os valdenses. Em 1526, um dos barbes valdenses levou aos Alpes as notícias sobre os acontecimentos religiosos na Europa. A isto seguiu-se um período de intercâmbio, durante o qual comunidades protestantes compartilhavam idéias com os valdenses. Os protestantes incentivaram os valdenses a patrocinar a primeira tradução da Bíblia das línguas originais para o francês. Impressa em 1535, ela ficou mais tarde conhecida como a Bíblia Olivétan. Ironicamente, porém, a maioria dos valdenses não entendia o francês.

Com a continuação da perseguição causada pela Igreja Católica, grande número de valdenses se estabeleceu na região mais segura da Provença, no sul da França, assim como fizeram imigrantes protestantes. As autoridades foram logo alertadas sobre esta imigração. Apesar de muitos relatórios positivos a respeito do estilo de vida e da moral dos valdenses, alguns questionavam sua lealdade e os acusavam de serem uma ameaça para a boa ordem. Emitiu-se o edito de Mérindol, que resultou em horrível derramamento de sangue.

As relações entre os católicos e os valdenses continuaram a piorar. Reagindo aos ataques contra eles, os valdenses até recorreram à força das armas para se defender. Este conflito os levou a ingressar no rebanho protestante. De modo que os valdenses se aliaram à corrente principal do protestantismo.

No decorrer dos séculos, estabeleceram-se igrejas valdenses em países tão distantes da França como o Uruguai e os Estados Unidos. Todavia, a maioria dos historiadores concorda com Audisio, que diz que “o valdismo acabou na época da Reforma”, quando foi “absorvido” pelo protestantismo. Na realidade, o movimento valdense havia perdido muito do seu zelo inicial séculos antes. Isto se deu quando os seus membros, por medo, abandonaram a pregação e o ensino orientados pela Bíblia (Estudo Perspicaz, Vol III).

LAMENTAÇÕES DE UM DEUS POETA


Nos tempos bíblicos, lamentações ou endechas eram compostas e entoadas em memória de amigos falecidos (2Sa 1:17-27), de nações devastadas (Am 5:1, 2) e de cidades arruinadas (Ez 27:2, 32-36). O livro de Lamentações fornece um exemplo inspirado de tal composição lamentosa. Consiste em cinco poemas líricos (em cinco capítulos) que lamentam a destruição de Jerusalém às mãos babilônicas, em 607 AEC.

O livro reconhece que Jeová justificadamente trouxe a punição sobre Jerusalém e Judá devido ao erro de Seu povo. (La 1:5, 18) Destaca também a benevolência e a misericórdia de Deus, e mostra que Jeová é bom para aquele que espera nele. — La 3:22, 25.

Nome. No hebraico, este livro é chamado pela palavra inicial ʼEh·kháh!, que significa “Como!”. Os tradutores da Septuaginta chamaram o livro de Thré·noi, que significa “Endechas; Lamentos”. No Talmude Babilônico (Bava Batra 14b) ele é identificado pelo termo Qi·nóhth, que significa “Endechas; Elegias”, e é chamado por Jerônimo de Lamentationes (latim). O nome em português, Lamentações, vem deste último título.

Lugar no Cânon Bíblico. No cânon hebraico, o livro de Lamentações é usualmente incluído entre os cinco Meghil·lóhth (Rolos), consistindo em O Cântico de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester. No entanto, nas cópias antigas das Escrituras Hebraicas, diz-se que o livro de Lamentações seguia o livro de Jeremias, como o faz nas Bíblias atuais em português.

Escritor. Na Septuaginta grega este livro é introduzido pelas palavras: “E aconteceu que, depois de Israel ter sido levado cativo e Jerusalém ter sido desolada, Jeremias sentou-se chorando e lamentando com este lamento sobre Jerusalém, e disse.” Os targuns também identificam Jeremias como o escritor, introduzindo-o assim: “Jeremias, o profeta e grande sacerdote, disse.” A introdução na recensão Clementina da Vulgata latina é: “E aconteceu que, depois de Israel ter sido levado ao cativeiro e Jerusalém ter ficado deserta, Jeremias, o profeta, estava sentado chorando e lamentou com este lamento sobre Jerusalém; e suspirando com espírito amargo, e gemendo pesarosamente, ele disse.”

Estilo. Os cinco capítulos do livro de Lamentações consistem em cinco poemas, os primeiros quatro sendo acrósticos. O alfabeto hebraico tem 22 letras distintas (consoantes) e, em cada um dos primeiros quatro capítulos de Lamentações, os versos sucessivos começam com uma das 22 letras do alfabeto hebraico. Os capítulos 1, 2 e 4 têm cada um 22 versos em ordem alfabética, segundo o alfabeto hebraico, o verso 1 começando com a primeira letra hebraica, ʼá·lef, o verso 2 com a segunda letra, behth, e assim por diante, até o fim do alfabeto. O capítulo 3 tem 66 versos e, nele, três versos sucessivos começam com a mesma letra hebraica, antes de passar para a letra seguinte.

Nos capítulos 2, 3 e 4 há uma inversão das letras ʽá·yin e peʼ (ali não se acham na mesma ordem como em Lamentações 1 e no Sal 119). Mas isto não significa que o escritor inspirado de Lamentações tenha cometido um erro. Numa análise do assunto, tem-se observado o seguinte: “A irregularidade em pauta deveria, menos ainda, ser atribuída a uma falha por parte do compositor . . ., pois a irregularidade é repetida em três poemas. É, ao invés, ligada a outra circunstância. Pois verificamos em outros poemas alfabéticos também, especialmente os mais antigos, muitos desvios da regra, o que inegavelmente prova que os compositores só se atinham rigorosamente à ordem do alfabeto enquanto se ajustasse ao transcurso do pensamento, sem qualquer artificialidade.” (Commentary on the Old Testament [Comentário Sobre o Velho Testamento], de C. F. Keil e F. Delitzsch, 1973, Vol. VIII, As Lamentações de Jeremias, p. 338) Entre os exemplos então citados acham-se o Salmo 34, onde o verso da vau está faltando, e o Salmo 145, que omite o verso da letra nune. Não existir estrita aderência ao arranjo alfabético das letras hebraicas nestes escritos inspirados não nos deve causar preocupação. Ao passo que o uso de acrósticos sem dúvida servia como ajuda para a memória, a mensagem era de importância primária, e o conteúdo de idéias tinha precedência sobre qualquer artifício literário.

Lamentações, capítulo 5, não é um poema acróstico, embora realmente contenha 22 versos, o mesmo número de letras do alfabeto hebraico.

Tempo da Composição. A qualidade vívida de Lamentações mostra que o livro foi escrito pouco depois da queda de Jerusalém, em 607 AEC, enquanto os eventos do sítio e o incêndio de Jerusalém pelos babilônios ainda estavam frescos na mente de Jeremias. Há acordo geral de que o livro de Lamentações foi escrito logo depois da queda de Jerusalém, e é razoável concluir-se que a sua escrita terminou em 607 AEC.

Cumprimento de Profecia. As palavras de Deuteronômio 28:63-65 tiveram cumprimento na experiência de Jerusalém, vividamente retratada no livro de Lamentações. O cumprimento de várias outras profecias e avisos divinos é também indicado neste livro. Por exemplo, compare Lamentações 1:2 com Jeremias 30:14; Lamentações 2:17 com Levítico 26:17; Lamentações 2:20 com Deuteronômio 28:53.

Conteúdo. No primeiro capítulo, começando com o versículo 12 , Jeremias personifica Jerusalém, a “mulher” Sião, em pacto com Deus, como que falando. (Is 62:1-6) Ela está agora desolada, como que enviuvada e destituída de seus filhos, uma mulher cativa colocada sob trabalhos forçados como escrava. No capítulo 2, o próprio Jeremias fala. No capítulo 3, Jeremias extravasa seus sentimentos, transferindo-os para a figura da nação como um “varão vigoroso”. No capítulo 4, Jeremias continua seu lamento. No quinto capítulo, os habitantes de Jerusalém são representados como que falando. As expressões de reconhecimento do pecado, a esperança e confiança em Jeová, e o desejo de voltar-se para o caminho correto, conforme representados em todo o livro, não eram os reais sentimentos da maioria do povo. No entanto, havia um restante como Jeremias. Assim, o conceito expresso no livro de Lamentações é uma avaliação verdadeira da situação de Jerusalém conforme Deus a via.

O livro de Lamentações é, por conseguinte, um registro verdadeiro e valioso, inspirado por Deus (Fonte: "Estudo Perspicaz", Vol II).